Sintomas de burnout associados ao preconceito racial em médicos residentes

ROCHESTER, Minnesota — Os pesquisadores da Mayo Clinic descobriram uma associação entre o aumento nos sintomas de burnout e o crescente preconceito racial em médicos residentes. O estudo aparece na JAMA Network Open

“Quando os médicos não estão trabalhando em um estado ideal tanto mental quanto emocionalmente, pode ser difícil para eles lutarem contra seus próprios preconceitos”, diz Liselotte Dyrbye, M.D., que dirigiu o estudo. “Se o burnout contribui para as desigualdades ao prestar cuidados, talvez lutar contra o burnout possa corrigir essa falha.” 

Os resultados do estudo sugerem que isso é possível. Mais de 3.000 médicos não negros de todas as regiões do país foram examinados acerca dos sintomas de burnout. Eles receberam testes de preconceito racial explícito, com uma avaliação direta sobre o afeto que sentem por uma pessoa, e de preconceito racial implícito, baseados em associação descritiva de palavras. Os pesquisadores conduziram essas pesquisas no segundo e no terceiro ano de residência para avaliar as mudanças ao longo do tempo. Os médicos que estavam passando por altos sintomas de burnout no segundo ano tenderam a responder com mais preconceito racial, tanto explícita quando implicitamente. No acompanhamento do terceiro ano, o preconceito racial diminuiu de forma geral. Entretanto, a maior redução no preconceito racial ocorreu nos médicos que enfrentaram o burnout no segundo ano, mas se recuperaram no terceiro ano. Isso sugere que o tratamento do burnout pode resultar em uma melhoria tangível no preconceito racial no âmbito médico. 

Embora as diferenças nas pontuações entre os grupos do estudo sejam pequenas, os autores sugerem que estudos mais aprofundados poderiam explorar melhor se a relação entre burnout e preconceito racial é realmente de causa e efeito e, caso seja, poderiam desenvolver soluções. 

As disparidades de saúde entre os grupos étnicos nos E.U.A. são bem documentadas. Os Centers for Disease Control and Prevention (Centros de controle e prevenção de doenças) apresentam uma maior incidência de muitas doenças entre os afro-estadunidenses, incluindo derrames, doenças cardíacas, mortalidade infantil, obesidade e diabetes. Muitos estudos já investigaram de que formas as diferenças no cuidado médico podem contribuir para esse efeito, mas poucos estudos anteriores exploraram como o estado mental de um médico pode provocar essas disparidades. As taxas de burnout — uma condição marcada por exaustão emocional, cinismo e sentimentos negativos em relação ao emprego — são quase duas vezes maiores em médicos, se comparados à população em geral. Os pesquisadores desse estudo queriam saber se o burnout afeta a manifestação de preconceitos em médicos residentes. 

O estudo foi realizado em colaboração com a Universidade de Yale, a Universidade de Minnesota, a Universidade de Syracuse e a Universidade de Saúde e Ciência de Oregon. O estudo foi financiado pelos National Institutes of Health (Institutos Nacionais de Saúde) e pela Mayo Clinic. 

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